Uma legaltech brasileira de recuperação de crédito recebe sócio, e a sueca Legora mostra quanto o mercado paga por IA jurídica.
Segundo a Exame, a gestora Ventoá, com mais de R$ 300 milhões em participações em 17 empresas, comprou 30% da Factum IA num negócio que avalia a empresa em cerca de R$ 7 milhões. A legaltech cruza dados de pessoas, empresas, quadros de sócios, relações familiares e processos para indicar onde há bens a cobrar. Cobra por assinatura e monitora carteiras de forma contínua. Segundo a gestora, a plataforma já mapeou R$ 400 milhões em dívidas e localiza ativos em 60% dos processos parados há mais de três anos. A empresa estima R$ 556 bilhões em cobranças travadas no país e mais de 30 milhões de execuções paradas por falta de bens; as estimativas são da própria Factum IA. Bancos, FIDCs, securitizadoras e escritórios são o público-alvo.
O que está por trásNo Brasil, ganhar o processo e receber o dinheiro são etapas distantes; a fase de execução é onde a Justiça mais congestiona. A IA ajuda a ligar dados públicos dispersos, trabalho que hoje um investigador faz à mão. Por isso o interesse vem de FIDCs e securitizadoras, que compram carteiras de crédito vencido com desconto e ganham na recuperação. Uma ferramenta que aumente a taxa de localização de bens muda o preço que esses compradores aceitam pagar pelas carteiras.
Para levarSe sua empresa tem créditos judiciais parados, vale reavaliar a carteira: ferramentas de busca de bens com IA podem tornar viável cobrar o que estava baixado como perda.
Segundo a Reuters e o comunicado da empresa, a Legora captou US$ 550 milhões numa Série E liderada pela Atreides Management, com Baron Capital, Capital Group, Fidelity, Glade Brook e J.P. Morgan entre os novos investidores. A avaliação foi de US$ 8,8 bilhões, ante US$ 5,6 bilhões na rodada de março, sete meses antes. A empresa diz ter mais de US$ 200 milhões em receita recorrente anual. Fundada em 2023, tem escritórios em Nova York, Denver, Chicago, Houston, São Francisco, Toronto e Cidade do México. O dinheiro vai para expansão e para o Legora aOS, sistema em que advogados e agentes trabalham juntos, com produtos de triagem de casos, monitoramento regulatório e pesquisa jurídica.
O que está por trásA Legora disputa com a americana Harvey o posto de software padrão dos grandes escritórios. Nossa leitura: a entrada de Fidelity, Capital Group e J.P. Morgan, investidores de bolsa, sugere preparação para um IPO. A avaliação de 44 vezes a receita recorrente mostra que o mercado aposta que a IA vai mudar o modelo de cobrança por hora dos escritórios. Com escritório na Cidade do México, a empresa já está na América Latina, onde a Enter e outras locais disputam os grandes clientes.
Para levarNa próxima renegociação com o escritório que atende sua empresa, pergunte quanto do trabalho já é feito com IA e peça que o desconto apareça no honorário.