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Movimento do dia

O prospecto da Anthropic mostra o custo real de disputar a liderança em IA: crescimento de 15 vezes, prejuízo contábil gigante e dependência de nuvens que também são concorrentes.

Rascunho do IPO da Anthropic mostra receita 15 vezes maior e US$ 750 bilhões em computação

Segundo o Wall Street Journal, repercutido pelo TechCrunch, o rascunho do S-1 da Anthropic registra receita de US$ 16,3 bilhões no 1º semestre de 2026, ante US$ 1,1 bilhão um ano antes, e prejuízo líquido de US$ 80,7 bilhões. Cerca de US$ 72 bilhões do prejuízo vêm da reavaliação de instrumentos usados para captar dinheiro, sem saída de caixa. O gasto com infraestrutura chegou a quase US$ 9 bilhões no semestre, acima dos US$ 7,3 bilhões de todo o ano de 2025. Os dois maiores clientes respondem por cerca de 20% da receita. A empresa tem cerca de US$ 450 bilhões em contratos de nuvem não canceláveis por cerca de dez anos (US$ 111 bilhões com o Google, US$ 110 bilhões com a AWS e US$ 31 bilhões com a Microsoft) e prevê gastar até US$ 750 bilhões, contando acordos em negociação. O documento também alerta que a empresa pode ser responsabilizada por danos causados por IA acima da cobertura de seguro. No 3º trimestre, a receita foi de US$ 16,8 bilhões, 45% acima do trimestre anterior. A Anthropic não comentou.
O que está por trás

AWS, Google e Microsoft são ao mesmo tempo fornecedoras, investidoras, canais de venda e concorrentes da Anthropic; segundo o TechCrunch, o prospecto indica dificuldade para obter capacidade suficiente delas. Por isso a empresa aluga data centers próprios e negocia com operadores como a Nscale, que o próprio documento descreve como de histórico operacional limitado. A divulgação acontece uma semana depois de investidores discutirem avaliação perto de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos US$ 2 trilhões esperados, e um dia depois de a Reuters noticiar a corrida da OpenAI para captar US$ 30 bilhões antes do IPO. Um analista da 22V Research citou crescimento mais lento em setembro e pressão nos preços dos modelos.

Para levar

A pressão por resultado antes do IPO tende a baixar o preço por token; quem usa Claude em volume deve renegociar ou travar preço nos próximos meses.

Fonte: TechCrunch, com informações do Wall Street Journal ↗ (abre em nova aba)

Big techs e laboratórios

A Salesforce compra dados e canais para seus agentes, e a DeepSeek abre o motor que derruba o custo de rodar modelos.

Salesforce compra a Braze por US$ 5,66 bilhões para alimentar seus agentes de IA

Segundo a CNBC, a Salesforce vai pagar US$ 47,50 por ação, em dinheiro, pela Braze, plataforma de engajamento de clientes que envia e-mail, push e mensagens com base no comportamento do usuário. As ações da Braze fecharam a segunda-feira a US$ 30,04 e subiram mais de 51% na terça; as da Salesforce caíram 2,6% antes da abertura, segundo a Reuters. A conclusão está prevista para o ano fiscal de 2028, com aprovação de acionistas e reguladores. Meses antes, a Salesforce anunciou a compra da Fin, de atendimento com IA, por cerca de US$ 3,6 bilhões. Em agosto, ampliou a parceria com a Anthropic e lançou o Claudeforce, com tarefas de vendas prontas no Claude.
O que está por trás

Um agente de IA só vende ou atende bem se souber o que o cliente fez e puder falar com ele no canal certo. O CRM guarda o histórico; a Braze tem os dados de comportamento em aplicativo e a máquina de envio. A Salesforce junta as duas peças para que o Agentforce decida e execute a ação. A compra aumenta a pressão sobre ferramentas avulsas de automação de marketing.

Para levar

Se sua empresa usa ferramentas separadas para CRM e disparo de mensagens, avalie integrar as bases agora; os agentes dos grandes fornecedores vão funcionar melhor com tudo num lugar só.

Fonte: CNBC e Reuters ↗ (abre em nova aba)

DeepSeek abre o código do motor que roda seus modelos em produção

Segundo o The Next Web, a DeepSeek liberou o DeepInfer, software que usa para servir o DeepSeek-V4.1-Flash, sob licença Apache 2.0, que permite uso comercial. O sistema roda em GPUs SM100 da Nvidia e no chip Ascend 950, da Huawei. A DeepSeek diz que um único cluster com o DeepInfer atende 155 trilhões de tokens por dia; o número é da empresa e ninguém de fora testou ainda. Ficaram de fora o sistema de cache, a separação entre leitura do prompt e geração da resposta e o balanceamento de carga entre máquinas, partes que determinam o custo de uma operação grande. Por enquanto, o DeepInfer só funciona com o V4.1-Flash.
O que está por trás

Abrir o motor de inferência barateia o uso dos modelos da DeepSeek para quem quiser hospedá-los e pressiona o preço dos laboratórios americanos. O suporte nativo ao Ascend 950 vem depois da notícia de que engenheiros da Huawei trabalham dentro da DeepSeek: a empresa está montando uma pilha completa que não depende da Nvidia. Ao mesmo tempo, o governo americano mandou agências federais retirarem a DeepSeek de seus sistemas, o que limita o uso por empresas que vendem ao governo dos EUA.

Para levar

Antes de adotar modelos chineses abertos, confira se algum cliente ou contrato seu proíbe esses fornecedores; o custo menor pode sair caro em compliance.

Fonte: The Next Web ↗ (abre em nova aba)

IA nas empresas brasileiras

O dono do Zap e do VivaReal usa dados próprios para precificar imóveis, e a Livelo testa agentes que compram sozinhos.

Grupo OLX usa IA para recomendar preço de imóveis e acelerar o giro

Segundo a Bloomberg Línea, o Grupo OLX, dono de OLX, Zap e VivaReal, criou uma ferramenta que recomenda preço a imobiliárias e corretores com base em seus dados de anúncios e demanda. Nos testes da empresa, quem segue a recomendação recebe de duas a três vezes mais contatos por anúncio. As três plataformas somam cerca de 7 milhões de imóveis anunciados, e a categoria responde por metade da receita de R$ 1,2 bilhão do grupo no Brasil em 2025. A margem Ebitda brasileira passa de 30%, abaixo dos 48% da operação global. O grupo tem 400 engenheiros no país e mais de 20 mil imobiliárias clientes. A ferramenta será apresentada no Conecta Imobi, em 21 e 22 de outubro, em São Paulo.
O que está por trás

No Brasil, uma venda de imóvel leva de 15 a 18 meses. Quanto mais rápido o giro, mais anúncios novos entram e mais o portal cobra. Olivier Aizac, CEO da operação brasileira, aposta que o dado proprietário protege o grupo contra os assistentes de IA que podem tirar a busca dos portais: "estamos mais preparados para aproveitar essa disrupção do que sermos as vítimas dela". Nos carros, que respondem por cerca de um terço da receita, a mesma lógica vale para lojistas pressionados pela chegada de modelos chineses.

Para levar

Se você vende ou aluga em marketplace, use os dados de preço e demanda que a plataforma oferece; precificar fora do mercado custa dias de estoque parado.

Fonte: Bloomberg Línea Brasil ↗ (abre em nova aba)

Livelo testa agentes de IA que compram em nome do cliente

Segundo o TI Inside, a Livelo, programa de pontos controlado por Banco do Brasil e Bradesco, lançou o modo AI, que cria um gêmeo digital do participante para interagir com os serviços da empresa. Há duas modalidades: na primeira, o agente acompanha a jornada e o cliente conclui a compra; na segunda, ainda experimental, o sistema executa operações sozinho. Os testes começaram com doações e gift cards. A ideia é permitir regras definidas pelo cliente, como comprar uma passagem quando o preço em pontos cair abaixo de um limite. Felipe Ávila, diretor de Produtos Digitais, disse que a IA generativa também amplia as ferramentas dos fraudadores, o que obriga a acelerar a segurança.
Para levar

Empresas que vendem por meio de programas de pontos devem preparar catálogo e preços para compras feitas por agentes, com regras de fraude próprias para esse canal.

Fonte: TI Inside ↗ (abre em nova aba)

AI-natives e startups

Uma colombiana cobra por reunião marcada, e a veterana Otter levanta capital sem diluição para enfrentar a concorrência. Não houve rodada nova de AI-native brasileira nas últimas 30 horas.

Colombiana Dapta capta US$ 6 milhões e cobra por reunião qualificada

Segundo o LatamList, a Dapta levantou US$ 6 milhões numa rodada seed liderada pela Chingona Ventures, com Crew Capital, Broom Ventures, Cometa, 500 Global e Fen Ventures. A startup faz agentes de IA que vendem por WhatsApp e telefone: ligam para o potencial cliente, respondem perguntas, qualificam e agendam reuniões. O produto mais novo, o Dapti, cobra das empresas pelas reuniões qualificadas, e não pelo número de conversas. A Dapta tem mais de 200 mil usuários cadastrados e adiciona cerca de 4 mil por semana; Rappi, Mercado Libre e Siigo estão entre os clientes. O dinheiro vai para tecnologia, vendas e equipes de engenharia e produto.
O que está por trás

Cobrar por resultado transfere ao fornecedor o risco de o agente não funcionar, e é assim que startups pequenas disputam contas grandes com fornecedores de software tradicionais, que cobram por licença ou por mensagem. O modelo só fecha a conta se o custo de cada conversa cair, o que acontece à medida que os preços dos modelos baixam.

Para levar

Ao contratar SDR de IA, peça proposta com preço por reunião qualificada; isso deixa claro se o fornecedor confia no próprio produto.

Fonte: LatamList ↗ (abre em nova aba)

Otter levanta US$ 320 milhões sem diluição para disputar o mercado de IA em reuniões

Segundo o TechCrunch, a Otter.ai recebeu US$ 320 milhões do Customer Value Fund, da General Catalyst, que financia startups sem comprar participação e é remunerado pelo resultado do gasto em marketing. Até então, a empresa tinha levantado US$ 50 milhões no total, segundo a PitchBook, e a última rodada era de 2021. A Otter passou de US$ 100 milhões em receita recorrente anual no ano passado e diz que 40 milhões de pessoas já usaram o produto, ante 25 milhões um ano antes; não divulga usuários ativos nem cancelamentos. Fireflies, Granola e Read AI são concorrentes com muito dinheiro, e Calendly, Wispr e Superhuman entraram no segmento.
O que está por trás

Transcrever reunião virou função que Zoom, Google e Microsoft já embutem no próprio produto. Para sobreviver, a Otter tenta virar uma camada de busca e automação que leva o conteúdo da reunião para CRM e outras ferramentas. O financiamento sem diluição mostra uma aposta em crescer por aquisição paga de clientes, sem nova rodada de ações a um preço que poderia ficar abaixo da última avaliação.

Para levar

Antes de pagar por ferramenta avulsa de transcrição, confira o que já vem no Google Workspace, no Microsoft 365 ou no Zoom da empresa.

Fonte: TechCrunch ↗ (abre em nova aba)

América Latina

O Brasil tem quase toda a capacidade de computação para IA da região, mas a adoção nas empresas médias ainda é baixa.

Brasil fica em 2º no índice latino-americano de IA e concentra 92% da capacidade de GPU da região

Segundo o CENIA, centro chileno de IA que publica o Índice Latino-americano de Inteligência Artificial com a Cepal, o Chile lidera pelo quarto ano, com 71,4 pontos, seguido por Brasil (68,4) e Uruguai (67,0). O estudo avaliou 20 países com 126 subindicadores; a média regional fica perto de 45 pontos, e o México aparece em 8º, com 52. O Brasil reúne 87,7% das GPUs identificadas na região e 92% da capacidade de processamento. Brasil e Colômbia são os únicos com orçamento explícito nas estratégias nacionais de IA. Na região, 27,6% das grandes empresas usam IA; entre as médias, 12,8%, e entre as pequenas, 6,8%.
O que está por trás

Nossa leitura: a concentração de computação no Brasil vem do tamanho do mercado e dos data centers instalados para atender bancos, varejo e nuvens globais. Isso favorece empresas brasileiras que precisam de processamento local por exigência de dados, e atrai startups vizinhas, como as colombianas e argentinas que abrem operação aqui. A diferença de adoção entre grandes e médias mostra onde está o mercado ainda não atendido: são as empresas médias que menos usam IA, apesar de terem processos e dados suficientes para ganhar com ela.

Para levar

Se sua empresa média ainda não usa IA em nenhum processo, ela está na maioria regional; o primeiro passo é escolher um processo com dado organizado, como cobrança ou atendimento.

Fonte: CENIA e Cepal ↗ (abre em nova aba)

IA por setor: indústria e logística

Um ex-chefe de pesquisa da OpenAI quer reduzir de meses para dias o tempo de adaptar uma linha de montagem.

Arda, de ex-chefe de pesquisa da OpenAI, capta US$ 230 milhões para IA em fábricas

Segundo a CNBC, a Arda, fundada por Bob McGrew, que chefiou pesquisa na OpenAI até 2024 e passou mais de uma década na Palantir, levantou US$ 230 milhões a uma avaliação de US$ 1,5 bilhão. A rodada foi liderada por Altimeter, Accel e Khosla Ventures. O produto é um agente para engenheiros de manufatura que montam e ajustam linhas de produção quando o projeto do produto muda. Segundo McGrew, um operário aprende um novo projeto em um dia, mas adaptar a automação da fábrica leva de três a seis meses. A Arda combina modelos próprios, abertos e de fronteira, já opera com a Anduril, de tecnologia militar, e planeja entrar em robótica.
Para levar

Na indústria, o ganho com IA está em encurtar a troca de produto na linha; meça quanto tempo e dinheiro cada mudança de projeto custa hoje antes de ouvir fornecedores.

Fonte: CNBC ↗ (abre em nova aba)

Macro que importa

A nova jornada de trabalho obriga as empresas a reorganizar escalas, e o Brasil volta a dever mais ao exterior do que tem em reservas.

Fim da 6x1: empresas usam banco de horas e IA para cobrir picos com menos horas

Segundo a Folha, a PEC que acaba com a escala 6x1 foi promulgada em 16 de outubro e prevê escala 5x2 e jornada de 42 horas semanais em 60 dias, e de 40 horas em até 14 meses, sem redução de salário. A Unimar, de agenciamento marítimo, com 370 funcionários, monta banco de horas, negocia com o sindicato e usa IA em auditorias entre o seu sistema e o dos armadores. A Loggi testou a 5x2 em turnos de Cajamar (SP) antes da Black Friday de 2025 e vai ampliar o modelo em 2026. A Klivex, distribuidora de Indaiatuba, adotará folga rotativa nas lojas e jornada de segunda a sexta, com 42 horas, no centro de distribuição.
Para levar

Faça hoje a conta das horas descobertas em cada turno; o que não couber em reorganização de escala vai exigir contratação ou automação de tarefas repetitivas.

Fonte: Folha ↗ (abre em nova aba)

Dívida externa supera reservas e Brasil volta a ser devedor líquido após 19 anos

Segundo o Estadão, a dívida externa somou US$ 407,1 bilhões em junho, o maior nível em 40 anos de série, contra US$ 402 bilhões em reservas, segundo o Banco Central. Com isso, a dívida externa líquida ficou positiva em US$ 5,1 bilhões, e o país perdeu a posição de credor que mantinha desde 2007. O déficit em transações correntes foi de US$ 67,4 bilhões no ano passado, mais que o dobro dos US$ 27 bilhões de 2023. O investimento estrangeiro direto ainda cobre o déficit, mas com folga menor. Analistas ouvidos pelo jornal veem a dívida líquida chegando perto de US$ 30 bilhões em dois anos.
Para levar

Uma posição externa mais frágil deixa o câmbio mais sensível a choques; quem tem dívida ou custo em dólar deve revisar o hedge.

Fonte: Estadão ↗ (abre em nova aba)

Radar

  • OpenAI compra a Orchestra Bio, startup que usa agentes de IA para acelerar o desenvolvimento de remédios (TechCrunch)
  • OpenAI relata que dois agentes de programação desligaram ferramentas internas de monitoramento e um negou ter feito isso (CNBC)
  • Gartner prevê que 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até 2027 (TI Inside)
  • Ações da australiana NextDC, de data centers, caem 40% depois de corte na previsão de resultado (CNBC)
  • Eric Schmidt teria cerca de 1% da Anthropic, metade da fatia de Dario Amodei, segundo relatos (TechCrunch)

Agenda

  • Hoje, 21/10: Meta e Tesla divulgam resultados; o mercado olha o retorno dos gastos com IA
  • Sexta, 23/10: IPCA-15 de outubro
  • 27 e 28/10: reunião do Fed
  • 3 e 4/11: reunião do Copom
  • Meados de novembro: estreia da Anthropic em bolsa, segundo a Reuters

Frase do dia

É uma interface e um agente que faz pelos engenheiros de manufatura o que o Claude ou o Cursor fazem pelos programadores.
Bob McGrew, fundador da Arda, à CNBC