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Fechamento de 19/10

Movimento do dia

OpenAI e Anthropic disputam o mesmo dinheiro de fundos soberanos e institucionais, e quem chegar primeiro define o preço da comparação.

OpenAI corre para captar US$ 30 bilhões antes do IPO da Anthropic

Segundo a Reuters, a OpenAI acelerou uma rodada de cerca de US$ 30 bilhões que pode avaliar a empresa em mais de US$ 1,4 trilhão. O objetivo é garantir os compromissos antes da estreia da Anthropic em bolsa, prevista para meados de novembro. SoftBank, a MGX, de Abu Dhabi, e outros sócios atuais estão nas conversas; na semana passada, a OpenAI se reuniu com fundos soberanos e de longo prazo enquanto a Anthropic fazia seu dia do investidor. A OpenAI apresenta receita anualizada de US$ 50 bilhões e projeta US$ 70 bilhões no fim do ano, puxada pelo GPT-6 Astra. Também cortou preços dos modelos mais baratos e disse aos investidores que pode cortar mais. Em março, a empresa foi avaliada em US$ 852 bilhões numa rodada de US$ 122 bilhões. A Anthropic informou receita de US$ 16,8 bilhões no 3º trimestre, ante US$ 11,6 bilhões no 2º; parte dos investidores defende avaliação perto de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos US$ 2 trilhões que a empresa teria buscado, segundo a Reuters.
O que está por trás

Quando a Anthropic abrir os números no prospecto, os mesmos fundos vão poder comparar margens, crescimento e contabilidade das duas, e a OpenAI quer o dinheiro antes dessa comparação. Há uma disputa contábil em curso: a OpenAI registra receita líquida do repasse a parceiros e acusa a Anthropic de contar o valor bruto dos contratos vendidos via nuvens de terceiros; a Anthropic diz seguir as práticas estabelecidas. A OpenAI também precisa de caixa para os compromissos de data center e para se proteger se o mercado de IPO piorar antes da própria listagem, planejada para 2027.

Para levar

A guerra por capital está virando guerra de preço: a OpenAI já sinaliza novos cortes. Negocie contratos de IA com prazo curto ou com cláusula de revisão de preço.

Fonte: Reuters, via Straits Times e CTech ↗ (abre em nova aba)

Big techs e laboratórios

A China compra o que pode da Nvidia, e a Amazon ataca o software que prende os clientes à Nvidia.

ByteDance, Alibaba e Tencent encomendam mais de US$ 35 bilhões em chips da Nvidia

Segundo a Reuters, as três empresas pediram mais de 3 milhões de placas RTX PRO 5500, a cerca de US$ 11.400 cada, o que soma mais de US$ 35 bilhões a preço de tabela. A Nvidia avisou que não consegue garantir as entregas: parceiros podem receber de 5% a 10% do que pediram, e a produção global do modelo em 2027 deve ficar em no máximo 3 milhões de unidades. Os pedidos totais vindos da China passam de 6 milhões. A placa foi feita para estações de trabalho e está entre as mais potentes que ainda podem ser vendidas à China; o B300 é proibido e o H200 depende de licença caso a caso. Amostras saem em dezembro e as entregas comerciais começam no 1º trimestre de 2027.
O que está por trás

As empresas chinesas vão usar as placas sobretudo para inferência, ou seja, para rodar modelos já treinados e atender usuários, tarefa que exige menos do que o treino. Jensen Huang já disse que as restrições levaram a fatia da Nvidia nos chips de data center na China de quase monopólio a quase zero. A demanda mostra que ainda há mercado para produtos permitidos, mas a Nvidia vai priorizar na TSMC a plataforma Rubin, para grandes data centers, a partir de 2027. A Huawei ganha espaço enquanto isso.

Para levar

A oferta de chips segue apertada até 2027; quem planeja rodar IA em servidor próprio deve reservar capacidade ou contratar nuvem com antecedência.

Fonte: Reuters ↗ (abre em nova aba)

Amazon lança ferramenta para levar aplicações de IA da Nvidia para o chip Trainium

Segundo o TechCrunch, a AWS lançou o TorchNeuron, que permite rodar no chip Trainium aplicações escritas em PyTorch trocando uma linha de configuração, sem reescrever o código. A Amazon afirma que cerca de 85% das aplicações de IA usam PyTorch, biblioteca aberta criada pelo Facebook e mantida pela Linux Foundation desde 2022. AMD e Apple já ofereciam migração parecida. A AWS diz que o mesmo Trainium serve para treino e para uso dos modelos e que, mesmo sem ter o menor preço por token, a integração com o resto da nuvem reduz o custo total. A comparação com as nuvens especializadas em Nvidia, como CoreWeave e Nebius, é da própria AWS.
O que está por trás

A Nvidia passou anos fazendo o CUDA funcionar de forma nativa com o PyTorch, e é isso que torna seus chips a escolha padrão. A Amazon ataca esse ponto: se migrar custa uma linha de código, a decisão passa a ser preço e disponibilidade. Para a AWS, cada cliente que sai da GPU da Nvidia para o Trainium melhora a margem e reduz a dependência de um fornecedor que também abastece seus concorrentes.

Para levar

Se sua empresa ou seu fornecedor treina ou ajusta modelos, peça cotação em Trainium e em GPU da Nvidia; a troca ficou mais barata.

Fonte: TechCrunch ↗ (abre em nova aba)

IA nas empresas brasileiras

Um banco médio arruma a base de dados do atendimento antes de pôr IA em cima.

Banco ABC Brasil reduz em 10% o tempo de atendimento e prepara IA no contact center

Segundo o TI Inside, o Banco ABC Brasil trocou a infraestrutura antiga de atendimento pelo Amazon Connect, da AWS, que junta voz, e-mail e WhatsApp numa só plataforma. A operação tem cerca de 14 profissionais e 7 mil interações por mês. O banco relata queda de 10% no tempo médio de atendimento, alta de 10% no nível de serviço e de 20% na produtividade dos atendentes. O próximo passo é usar IA para apoiar o atendente durante a conversa, resumir interações e identificar os motivos mais frequentes de contato. Os números vêm de um caso divulgado com a AWS, que vende a plataforma, e o texto não informa metodologia.
Para levar

Antes de contratar um agente de IA para o atendimento, junte os canais e o histórico do cliente numa base só; sem isso o agente não tem contexto para responder.

Fonte: TI Inside ↗ (abre em nova aba)

AI-natives e startups

Uma operadora de plano de saúde se reposiciona como empresa de IA, e uma startup de assistentes chega a US$ 1 bilhão em cinco meses.

Alice capta US$ 40 milhões com o IFC e se define como empresa de IA que opera plano de saúde

Segundo o Startups, a Alice levantou US$ 40 milhões numa Série D liderada pelo IFC, do Banco Mundial, com DEG, FinnFund, Kaszek, ThornTree e Canary. Desde o início do ano, 100% do código da empresa é escrito por engenheiros que orquestram agentes de IA; a produtividade do time mais que dobrou em 2026, segundo a Alice. O copiloto clínico devolve ao médico cerca de metade do tempo gasto com documentação, e o sistema para corretores corta em até 90% o tempo de precificação. A empresa atribui à IA queda de 18% no custo de atendimento e de 12,5% no tempo de espera. Tem mais de 100 mil membros e receita recorrente acima de R$ 1,2 bilhão, crescendo cerca de 70% ao ano. Os números são da própria Alice.
O que está por trás

Num plano de saúde, a despesa administrativa costuma consumir de 7,5% a 12% da receita, segundo estimativa da Alice, que diz caminhar para perto de 2%. Essa diferença vira preço menor ou margem maior num setor de margem apertada. Para o CEO, André Florence, o diferencial está no contexto: a Alice tem o plano, o prontuário e a equipe de cuidado no mesmo lugar, o que dá ao assistente dados que um concorrente que só compra o modelo não tem.

Para levar

Ao renegociar o plano de saúde da empresa, pergunte quanto da despesa administrativa a operadora já automatizou; esse custo entra no seu reajuste.

Fonte: Startups ↗ (abre em nova aba)

Town, de assistentes de IA para equipes, levanta US$ 108 milhões a US$ 1 bilhão de avaliação

Segundo o Tech Funding News, a Town, de São Francisco, captou US$ 108 milhões numa Série B liderada por Forerunner e Menlo Ventures, com a16z e First Round, a uma avaliação de US$ 1 bilhão. A empresa nasceu em 2024 fazendo declaração de impostos com IA para pequenas empresas e depois lançou a Townie, assistente que cada funcionário conecta a e-mail, documentos, agenda e mais de 60 sistemas, como Salesforce, Jira e GitHub. As Townies passam tarefas umas para as outras e, por padrão, preparam rascunhos em vez de enviar mensagens. A Town diz que os clientes pagantes quadruplicaram e as equipes pagantes cresceram nove vezes desde julho, sem divulgar números absolutos.
O que está por trás

Os assistentes individuais, como ChatGPT e Copilot, ajudam uma pessoa por vez; a Town vende coordenação entre pessoas, que é onde as empresas perdem tempo. O CEO, Jean-Denis Greze, foi CTO da Plaid. A Menlo Ventures adotou a Town na empresa toda em junho e cinco meses depois liderou a rodada, o que mostra que o investidor testou o produto como cliente.

Para levar

Ao avaliar assistentes de IA, teste um fluxo que passe por três pessoas, como proposta comercial, aprovação e envio; é ali que aparece o ganho de equipe.

Fonte: Tech Funding News ↗ (abre em nova aba)

América Latina

A argentina Humand monta no Brasil o primeiro time de produto local e põe agentes de IA no RH.

Argentina Humand amplia time no Brasil e leva agentes de IA ao RH de grandes empresas

Segundo o Startups, a Humand, plataforma de gestão de pessoas e comunicação interna, vai ampliar a equipe no Brasil de 25 para 40 pessoas até o fim de 2026 e terá, pela primeira vez, um time de produto exclusivo para um país. O Brasil é o segundo maior mercado da empresa, com mais de 100 mil funcionários usando a plataforma; a operação passou de 100 clientes em 15 meses. A expansão vem depois de uma Série A de US$ 66 milhões, em fevereiro, liderada por Kaszek e Goodwater. A empresa está pondo IA em mais de 30 módulos e lançando os agentes Sammy, Tali e Oli, para atendimento interno, recrutamento e retenção. Diz que isso economiza três horas por semana por funcionário; a estimativa é da própria Humand.
O que está por trás

O time local existe por causa da regulação: a atualização da NR-01 incluiu os riscos psicossociais na gestão de riscos ocupacionais e criou demanda em empresas com grandes equipes operacionais. A Humand prioriza clientes com mais de 5 mil funcionários e passou a vender IA para todos eles de uma vez, em vez de começar por poucos módulos. Leandro Oliveira, diretor para Brasil e EMEA, diz que o cliente brasileiro já usa fornecedores locais e testa novidades mais rápido que o europeu.

Para levar

Empresas com equipe operacional grande precisam documentar a gestão de riscos psicossociais exigida pela NR-01; vale checar se o sistema de RH atual já cobre isso.

Fonte: Startups ↗ (abre em nova aba)

IA por setor: varejo e pagamentos

Hoje seria dia de saúde; como o caso da Alice está em AI-natives, o setor do dia é varejo. O consumidor brasileiro aceita mais que um agente de IA compre por ele.

72% dos brasileiros aceitam que agentes de IA façam compras por eles

Segundo o Meio & Mensagem, o Agentic Commerce Report, da Global Payments, ouviu 8.027 consumidores em sete países em maio. No Brasil, a disposição de deixar um agente de IA comprar em nome do consumidor subiu de 39% em 2025 para 72% em 2026, a maior alta entre os países e a segunda maior taxa, atrás da China (86%). Nos EUA, a taxa é de 45%. Do total brasileiro, 24% já fizeram compra assim e 48% dizem que fariam nos próximos 12 meses. A confiança média nos agentes subiu de 3,18 para 3,80, numa escala de 1 a 5. As principais preocupações são a proteção dos dados de pagamento (50%), a privacidade (45%) e escolhas erradas da IA (41%). A Global Payments vende processamento de pagamentos e tem interesse no tema.
Para levar

Um agente de IA compra de quem tem catálogo, preço e estoque legíveis por máquina; revise se o seu e-commerce expõe esses dados de forma estruturada.

Fonte: Meio & Mensagem ↗ (abre em nova aba)

Macro que importa

Juros altos e famílias endividadas transferem risco de crédito para as incorporadoras.

Incorporadoras do Minha Casa, Minha Vida viram credoras sem garantia

Segundo a Folha, o programa respondeu por 58% dos lançamentos e 51% das vendas de imóveis novos no 2º trimestre, o maior peso desde 2019, de acordo com a CBIC. Para vender, as incorporadoras parcelam direto com o comprador a parte da entrada que o banco não financia, em geral 20% a 30% do imóvel. Esse crédito, chamado pró-soluto, não tem garantia real, porque o imóvel fica alienado ao banco. A Liquid estima de R$ 8 bilhões a R$ 15 bilhões por ano nessas operações e uma carteira ativa de cerca de R$ 25 bilhões, que pode chegar a R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões com a tabela direta. A inadimplência, segundo a Liquid, pode ser de cinco a dez vezes a do financiamento imobiliário tradicional; o risco maior está depois da entrega das chaves.
Para levar

Quem fornece para construtoras de baixa renda deve acompanhar o prazo de pagamento delas; se a carteira de pró-soluto piorar, o aperto de caixa chega aos fornecedores.

Fonte: Folha ↗ (abre em nova aba)

Radar

  • Sam Altman descreveu a funcionários três desfechos discutidos no setor: uma agência internacional para a IA, a fusão dos laboratórios ou uma empresa que domina as demais (The Information)
  • Elice, empresa sul-coreana de data centers, cai 32% na estreia em bolsa e reacende o temor sobre o valor das empresas de infraestrutura de IA (Bloomberg)
  • Nvidia vence AMD e Intel e fornecerá CPUs para a Modal, nuvem de IA para desenvolvedores (Reuters)
  • Amazon promete 16 bilhões de euros na Alemanha, com foco em data centers (Bloomberg)
  • Ataque à ferramenta de programação OpenCode gerou cobranças de até US$ 1.700 em contas de OpenAI, Anthropic e Google de usuários (TechCrunch)

Agenda

  • Hoje, 20/10: Netflix e SpaceX divulgam resultados do 3º trimestre após o fechamento nos EUA
  • Quarta, 21/10: Meta e Tesla divulgam resultados; o mercado olha os gastos com IA
  • Sexta, 23/10: IPCA-15 de outubro
  • 27 e 28/10: reunião do Fed
  • Meados de novembro: estreia da Anthropic em bolsa, segundo a Reuters

Frase do dia

Os modelos de IA estão disponíveis para qualquer empresa. O que não está disponível é o contexto.
André Florence, CEO da Alice, ao Startups