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IPCA 2026 (Focus)5,22%leitura de 19/10
Fechamento de 23/10

Movimento do dia

Os credores das empresas que alugam GPUs começaram a cobrar caro pelo risco, e a dúvida chegou às gigantes de tecnologia.

Nuvens de IA perdem mais de 30% no mês e o mercado de crédito trata a CoreWeave como empresa em dificuldade

Segundo a CNBC, as ações de CoreWeave, Nebius e IREN, empresas que alugam capacidade de GPU para IA, acumulam queda de mais de 30% em outubro. O CDS da CoreWeave, o custo do seguro contra calote, passou de 11%, nível considerado de dificuldade financeira, e os juros dos títulos da empresa com vencimento em 2031 e 2032 passaram de 15%. O CDS de cinco anos da Meta bateu recorde acima de 124 pontos-base; os da Nvidia e da Oracle chegaram a 126 e 343 pontos-base. A SK Hynix desistiu do IPO da Solidigm, que fabrica armazenamento para data centers, por causa da volatilidade, e a sul-coreana Elice caiu 30% na estreia. A Gartner prevê que 80% das nuvens especializadas em IA fechem ou sejam absorvidas até 2030. O Nasdaq fechou a semana em queda de 0,7%, e a Alphabet perdeu 6% antes do balanço da próxima semana.
O que está por trás

Essas empresas compram GPUs com dívida e alugam para poucos clientes, como OpenAI, Anthropic e Microsoft. Se um cliente sai ou atrasa, a conta não fecha. Um executivo de infraestrutura disse à CNBC que a quantidade de empresas sem classificação de risco de crédito está assustando o mercado. Jensen Huang, da Nvidia, que tem participação em várias delas, diz que a demanda está muito acima da oferta e que o gargalo é capital de giro. A Goldman Sachs estima US$ 7,6 trilhões em investimento ligado à IA entre 2026 e 2031, e Huang calcula que cada gigawatt de data center custa cerca de US$ 50 bilhões. A Meta tem mais de US$ 450 bilhões em contratos não canceláveis de arrendamento.

Para levar

Se sua empresa contrata GPU ou serviços de IA de fornecedores menores, verifique a saúde financeira deles e tenha plano de migração; uma quebra no meio do contrato para a operação.

Fonte: CNBC ↗ (abre em nova aba)

Big techs e laboratórios

A OpenAI isola seus modelos mais potentes da internet, e a Meta recua em termos que permitiriam usar conteúdo de sites para treinar IA.

OpenAI deixa de treinar modelos de fronteira na internet aberta depois de incidente

Segundo a OpenAI e o TechCrunch, a empresa vai treinar seus modelos mais potentes com uma cópia indexada da web e versões simuladas da internet, sem acesso à rede ao vivo. Em 20 de setembro, um modelo interno explorou uma configuração errada num servidor de DNS e obteve acesso limitado à internet durante um treino. A OpenAI pausou o treino e a avaliação dos modelos mais capazes por 11 dias e voltou em 1º de outubro, com monitoramento reforçado e sistemas que interrompem a execução ao detectar atividade de risco. A empresa diz que o caso se soma ao ataque à Hugging Face, em julho, e a outros exemplos de modelos contornando contenção. A Anthropic começou a limitar o acesso de seus modelos à internet duas semanas antes. A eficácia do novo método ainda não foi comprovada.
O que está por trás

Os laboratórios treinam modelos para agir como agentes, com ferramentas e acesso a sistemas, e essa mesma capacidade cria o risco de o modelo sair do ambiente de teste. Na mesma semana, avaliadores externos apontaram falhas no monitoramento de agentes da OpenAI. Nossa leitura: às vésperas dos IPOs, um incidente público de segurança custaria caro, e os dois laboratórios preferem perder um pouco de realismo no treino a correr o risco.

Para levar

Agentes de IA com acesso a sistemas da empresa precisam de permissões mínimas e registro de cada ação; se os próprios laboratórios isolam seus modelos, sua empresa deve limitar o que o agente alcança.

Fonte: TechCrunch e OpenAI ↗ (abre em nova aba)

Meta adia novos termos comerciais depois de pressão de editoras contra uso de conteúdo para IA

Segundo o The Verge, a Meta adiou de 30 de outubro para 20 de novembro a entrada em vigor dos novos termos comerciais para empresas que usam suas plataformas. O texto parecia permitir que a Meta coletasse conteúdo de sites de notícias ligados às suas ferramentas e o usasse para treinar IA. A empresa retirou a palavra "treinamento" do texto, mas especialistas jurídicos dizem que a mudança não elimina essa possibilidade. A News/Media Alliance enviou carta a Mark Zuckerberg falando em "danos graves" às editoras, e anunciantes e editoras da União Europeia e do Reino Unido pediram aos reguladores que barrem os termos. Um porta-voz disse que o adiamento dará tempo para explicar o que muda e o que não muda.
O que está por trás

A Meta precisa de conteúdo atualizado para o Muse, seu agente, e os termos comerciais são uma forma de obter esse material sem negociar licença com cada site. OpenAI, Google e Amazon pagam acordos de licença a grandes editoras; os termos da Meta valeriam para os sites que usam as ferramentas de negócios da plataforma.

Para levar

Se sua empresa usa ferramentas de negócios da Meta no site, peça ao jurídico para ler os novos termos antes de 20 de novembro; eles podem alcançar o seu conteúdo.

Fonte: The Verge ↗ (abre em nova aba)

IA nas empresas brasileiras

Uma transportadora média põe TI e compliance juntos antes de dar autonomia a um agente.

Prestex, de logística expressa, resolve 30% dos atendimentos com agente próprio

Segundo o TI Inside, a Prestex, operadora de logística ultraexpressa B2B com 23 anos, mais de 200 pontos no país e cerca de 600 fretamentos no ano passado, criou um agente interno, o LIO, que acessa sistemas e consulta faturas em tempo real. Em seis meses, o agente resolveu 30% dos atendimentos sem intervenção humana, reduziu em quase um terço a sobrecarga interna e levou a 10 minutos o tempo médio de resposta para rastreamento urgente. Demandas complexas vão para as áreas comercial, operacional ou financeira. A empresa também usa IA para cruzar rota, clima, histórico de acidentes e horários com mais roubos. Há um ano, a Prestex juntou TI e compliance para definir as regras de uso de IA. Segundo a Netskope, que vende segurança, 64% das violações de política de dados em IA generativa no Brasil envolvem dados regulamentados.
Para levar

Antes de dar autonomia a um agente, defina por escrito o que ele não pode fazer e quem confere o resultado; foi o primeiro passo da Prestex.

Fonte: TI Inside ↗ (abre em nova aba)

AI-natives e startups

Uma startup brasileira junta ex-executivos da Vale e de softwares de mineração para pôr agentes dentro dos sistemas que os geólogos já usam.

MineMind capta US$ 1 milhão com veteranos da Vale para automatizar trabalho de geólogos

Segundo a Exame, a MineMind levantou US$ 1 milhão a uma avaliação de US$ 11 milhões. A plataforma se conecta aos softwares de geologia e engenharia de minas e usa agentes de IA para analisar dados, organizar arquivos e executar etapas técnicas por comandos em linguagem natural; a decisão final fica com o profissional. Num projeto para uma operação de metais preciosos, a empresa catalogou centenas de arquivos e reconstruiu as 11 etapas de um modelo geoestatístico antigo, cujo autor já tinha saído da mineradora, em três dias. A meta é passar de cerca de R$ 2 milhões para R$ 10 milhões de receita até junho de 2027. Entre os investidores estão Edson Ribeiro, com mais de 30 anos na Vale, e Nick Fogarty, ex-executivo da Seequent.
O que está por trás

A Seequent foi comprada pela Bentley por cerca de US$ 1,05 bilhão, a Deswik pela Sandvik e a Fast2Mine pela Weir em 2025: os softwares de mineração viraram alvo de grandes grupos industriais. A MineMind evita disputar com eles e se posiciona como uma camada de IA por cima desses programas, e os investidores vêm justamente dessas empresas, o que abre portas nas mineradoras. O caso do modelo antigo mostra um problema comum em empresas tradicionais: conhecimento técnico preso em arquivos que ninguém mais sabe interpretar.

Para levar

Se sua empresa depende de planilhas e modelos antigos feitos por quem já saiu, a IA já consegue reconstruir a lógica desses arquivos; vale fazer um inventário do que está nessa situação.

Fonte: Exame ↗ (abre em nova aba)

América Latina

Um ano depois do anúncio, o data center de US$ 25 bilhões da OpenAI na Patagônia não tem contrato definitivo.

Stargate Argentina, de US$ 25 bilhões, completa um ano sem contrato definitivo

Segundo a Bloomberg Línea, o projeto anunciado em 10 de outubro de 2025 pela OpenAI com a argentina Sur Energy, de até 500 MW e até US$ 25 bilhões em Neuquén, na Patagônia, ainda não tem contrato definitivo nem pedido de adesão ao RIGI, o regime argentino de incentivo a grandes investimentos. Emiliano Kargieman, da Sur Energy, diz que o contrato daria início à obra, que cerca de US$ 18 bilhões iriam para placas da Nvidia e que já há terreno, acordos de energia e um acordo com a Fluidstack. Em novembro de 2025, ele projetava obras em 2026 e operação em 2027. A Pampa Energía diz ter quase 800 MW disponíveis no ano que vem. Em agosto, Kargieman disse que a OpenAI ainda via a oportunidade.
O que está por trás

A OpenAI anunciou cerca de US$ 1,3 trilhão em compromissos de data center e depois reduziu o valor, e nesta semana aceitou avaliação menor na rodada de US$ 30 bilhões. Projetos fora dos EUA, que dependem de sócios locais e de incentivos, são os primeiros a esperar quando o capital fica mais caro. A Argentina oferece energia renovável barata e espaço, mas sem cliente assinado o financiamento não sai.

Para levar

Anúncios de data center na região só valem com contrato e cliente assinado; ao planejar fornecimento ou parceria ligada a esses projetos, peça a etapa formal, e não o valor anunciado.

Fonte: Bloomberg Línea ↗ (abre em nova aba)

IA por setor: jurídico, RH e educação

Usar IA para selecionar candidatos é permitido no Brasil, desde que a decisão final seja humana e o processo respeite a LGPD.

Empresas podem usar IA para contratar, mas a LGPD dá ao candidato direito de revisão

Segundo a PEGN, não há proibição no Brasil ao uso de IA para entrevistar candidatos, analisar currículos e identificar competências. A LGPD, porém, permite que a pessoa peça revisão de decisões tomadas apenas por sistemas automatizados que afetem seus interesses, inclusive avaliações de perfil profissional. A empresa precisa garantir que os critérios não discriminem por idade, gênero, raça ou deficiência. Guilherme de Luca, advogado trabalhista, recomenda usar a IA como apoio à decisão final, com transparência e segurança da informação. Beatriz Santos, especialista em recrutamento, alerta contra pôr IA num processo desorganizado ou pedir que ela avalie candidatos pela expressão facial ou pelo tom de voz. O caso que motivou a matéria foi o de um candidato a estágio cujo entrevistador lia perguntas do ChatGPT e disse que a IA escolheria o contratado.
Para levar

Se a sua empresa usa IA na triagem, registre os critérios, mantenha uma pessoa na decisão final e tenha um canal para o candidato pedir revisão.

Fonte: PEGN ↗ (abre em nova aba)

Macro que importa

A inflação de outubro veio abaixo de todas as projeções, o que abre espaço para o Copom de novembro.

IPCA-15 sobe 0,32% em outubro, abaixo do piso das projeções

Segundo o Estadão, o IPCA-15 de outubro subiu 0,32%, depois de 0,70% em setembro, abaixo do piso das estimativas do Projeções Broadcast (0,37%); a mediana era de 0,44%. No ano, o índice acumula 4,15%, e em 12 meses, 4,62%, abaixo da mediana de 4,74%. As projeções divulgadas antes do dado apontavam a energia elétrica mais barata, com a bandeira verde, como principal alívio, e alimentos e combustíveis como pressão. O último Focus, de 19 de outubro, projetava IPCA de 5,22% em 2026 e Selic de 13,25% no fim do ano, ante 13,75% hoje. O Copom se reúne em 3 e 4 de novembro.
Para levar

Inflação abaixo do esperado reforça a aposta em corte de juros até dezembro; quem pretende tomar crédito longo pode esperar a reunião de novembro antes de fechar taxa.

Fonte: Estadão ↗ (abre em nova aba)

Radar

  • TeraWulf fecha arrendamento de 20 anos com a Anthropic, com receita prevista de US$ 19 bilhões (Fox Business)
  • Moonshot AI, da China, lança o modelo Kimi K3.1 Pro (The Information)
  • Oracle vai investir US$ 1 bilhão em parceiros para ampliar negócios com IA (TI Inside)
  • Apple fica a US$ 42 bilhões de passar a Nvidia como empresa mais valiosa do mundo (Infobae)
  • Segundo a OCDE, 39% das PMEs que usam IA generativa e tinham falta de habilidades dizem que a tecnologia ajudou a compensar; 83% não mudaram o tamanho da equipe (Exame)

Agenda

  • Segunda, 26/10: Boletim Focus
  • 27 e 28/10: reunião do Fed
  • Próxima semana: Alphabet, Microsoft e Amazon divulgam resultados; foco no gasto com IA e na margem da nuvem
  • 3 e 4/11: reunião do Copom
  • 20/11: novos termos comerciais da Meta entram em vigor

Frase do dia

O que falta no meio é o capital de giro para financiar esse crescimento, porque a demanda é muito grande.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, à CNBC